Blog do Tales Faria http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos Wed, 19 Jun 2019 19:52:21 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Vazamento sobre FHC joga o PSDB para o lado de Sérgio Moro no depoimento http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/19/vazamento-sobre-fhc-joga-o-psdb-para-o-lado-de-sergio-moro-no-depoimento/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/19/vazamento-sobre-fhc-joga-o-psdb-para-o-lado-de-sergio-moro-no-depoimento/#respond Wed, 19 Jun 2019 12:11:27 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1375  

O PSDB não deve fazer carga contra o juiz Sérgio Moro no depoimento de hoje na CCJ do Senado.

O ministro se beneficia da publicação, pelo site The Intercept Brasil, de conversas entre o juiz e a força-tarefa da Lava Jato em que teria sido combinado ignorar acusações contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Ao blog, o líder do PSDB no Senado, Roberto Rocha (MA), nega que uma coisa tenha a ver com a outra, mas deixa clara a sua posição:

“A arapongagem está se transformando numa prática normal e usual no Brasil, e isso é lamentável.  Hoje é com Sérgio Moro, e amanhã? Até agora, não vi nada demais em relação ao ministro Moro.”

Pelo que disse ao blog, Roberto Rocha deverá atacar não a Moro, mas os vazamentos: “Essa prática já é por si só deplorável, condenável, agora imagina vazar o grampo aos poucos, fora de contexto?”

E atacar também o site pelas publicações: “Outra coisa, o dinheiro sujo desse sujeito [Gleen Greenwald, fundador do site] foi que‘interceptou’ o Jean Wyllys e comprou o mandato dele para o namorado. Isso também deveria ser investigado.”

Trata-se de uma referência/acusação ao fato de o suplente do deputado licenciado Jean Wyllys ser o deputado em exercício David Miranda (PSol-RJ), marido de Gleen Greenwald

A presidente da CCJ, Simone Tebet, avalia que há um “clima de torcida, de Fla-Flu” cercando o depoimento de Moro. O que se confirma nas declarações ao blog do líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE):

“O material do The Intercept é explosivo. E os atingidos não têm coragem de negar peremptoriamente o conteúdo porque sabem que é verdadeiro e não sabem a amplitude do que vem por aí. Creio que Moro já está quase em uma situação insustentável.”

Mas o senador avalia que o depoimento de hoje do ministro não o prejudicará.

“Não tenho muita certeza de que a audiência de hoje vá mudar muito as coisas contra o ministro. As condições para quem depõe são muito favoráveis”, afirma.

O senador Otto Alencar (PSD-BA) ainda espera alguma divisão no PSDB: “O partido não é um bloco monolítico. Muitos tucanos acham que a Lava Jato e o juiz se excederam.”

Segundo ele, no entanto, “não é novidade a proximidade entre o PSDB e o Sérgio Moro. Tanto que o próprio Intercept lembrou aquela foto dele às gargalhadas, em confraternização com o [então senador] Aécio Neves (PSDB-MG)”.

Para Otto Alencar, Moro “fez muito pelo Brasil, mas não terá como negar que errou. Nesse caso, quanto mais ele tentar explicar, vai ficar pior”.

Já Randolfe Rodrigues (Rede-AP) aposta que o PSDB evitará defender Moro. “Eles sempre tiveram muitas críticas à Lava Jato e seria desgastante depois deste episódio fazerem defesa de Moro. Além do mais, a verdade é que FHC não errou. Ele nem sabia dessas conversas. Quem errou foi o Sérgio Moro.”

 

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Lista tríplice para chefe da PGR fortalece Raquel Dodge e enfraquece Moro http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/18/lista-triplice-para-chefe-da-pgr-fortalece-raquel-dodge-e-enfraquece-moro/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/18/lista-triplice-para-chefe-da-pgr-fortalece-raquel-dodge-e-enfraquece-moro/#respond Tue, 18 Jun 2019 23:54:36 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1371  

A esquerda venceu e perdeu a eleição comandada pela Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).

Todos os primeiros colocados da lista tríplice de candidatos a procurador-geral que será enviada ao presidente Jair Bolsonaro são considerados esquerdistas pelos colegas.

Portanto, muito provavelmente nenhum deles será nomeado.

Com isso, a atual chefe do Procuradoria Geral da República, Raquel Dodge, que não se candidatou, passou a ter maior possibilidade de ser reconduzida ao cargo.

Bolsonaro já disse que não se prenderá à lista tríplice. Pretende escolher quem ele próprio achar mais adequado para o comando da PGR.

Dodge não se candidatou na eleição mas que está à disposição do presidente, se ele decidir reconduzi-la.

O grande derrotado da votação foi o ministro da Justiça, Sérgio Moro, que comandou a operação Lava Jato quando juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba.

Em meio ao vazamentos de conversas de Moro com a força-tarefa da Lava Jato publicados pelo site The Intercept, o lavajatista entre os dez candidatos, Vladimir Aras, ficou apenas em 5º lugar na preferência de seus pares.

Na verdade, a eleição mostra o descontentamento dos procuradores com o governo, com sua chefe, Raquel Dodge e até com os caminhos tomados pela equipe de Moro.

Dos dez candidatos, teriam mais chances de ser o escolhido por Bolsonaro dois nomes:

o 4º colocado, Lauro Cardoso, que é considerado entre os procuradores como um direitista moderado – no entanto é mais ligado aos militares do que ao grupo bolsonarista do governo;

o 7º colocado, José Bonifácio Borges de Andrade – que também não é considerado bolsonarista.

Eis o perfil dos escolhidos para a lista tríplice, segundo descrição da ANPR:

1º – Mário Bonsaglia (478 votos) – subprocurador-geral da República
Membro do Ministério Público Federal desde 1991. Foi procurador regional eleitoral em São Paulo (2004-2008), integrou o Conselho Nacional do Ministério Público (2009-2013) e o Conselho Superior do MPF (2014-2018), e coordenou a 7ª Câmara de Coordenação e Revisão do MPF, responsável pela área do controle externo da atividade policial e do sistema prisional. Desde 2018 integra a 6ª Câmara de Coordenação e Revisão. Foi diretor da ANPR no biênio 1999-2001 e, antes de ingressar no MPF, foi procurador do Estado de São Paulo (1985-1991). É doutor em direito pela Universidade de São Paulo (USP).

2ª – Luiza Frischeisen (423 votos) – subprocuradora-geral da República
Tornou-se procuradora da República em 1992. Recebeu o título de mestre em direito em 1999 e concluiu doutorado em direito pela Universidade de São Paulo em 2004. Em 2015, foi promovida ao cargo de subprocuradora-geral da República. Representou o MPU no Conselho Nacional de Justiça entre 2013 e 2015. Foi eleita para o Conselho Superior do Ministério Público Federal (2017/2019) e coordena a 2ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal.

3º – Blal Dalloul (422 votos) – procurador Regional da República
Atua no Ministério Público Federal há 34 anos. Foi servidor durante onze anos, e, desde junho de 1996, é membro da instituição. Atuou na PRM de Presidente Prudente/SP e na PR/MS. Foi procurador-chefe durante 11 anos e procurador regional eleitoral no biênio 2003/2005. Atuou nas mais diversas áreas, com ênfase em direitos humanos e criminal. Em 2010, tornou-se procurador regional da República, passou pela PRR1, sendo titular de Ofício Criminal. Dalloul foi secretário-geral do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), e, logo depois, assumiu a Secretaria-Geral do MPF/MPU. Em 2017, assumiu o 30º Ofício Criminal da PRR2.

Depois, na sequência, vieram os procuradores regionais da República Lauro Cardoso (356); Vladimir Aras (346); José Robalinho Cavalcanti (191); e os subprocuradores-gerais da República José Bonifácio Borges de Andrada (154); Nívio de Freitas (127); Antonio Carlos Fonseca (29); e Paulo Eduardo Bueno (20).

É possível que Bolsonaro não fique com nenhum dos nomes, nem mesmo com Raquel Dodge, e puxe um coelho da cartola.

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Desejo de Bolsonaro de armar toda a população põe em risco decreto de armas http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/18/desejo-de-bolsonaro-de-armar-toda-a-populacao-poe-em-risco-decreto-de-armas/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/18/desejo-de-bolsonaro-de-armar-toda-a-populacao-poe-em-risco-decreto-de-armas/#respond Tue, 18 Jun 2019 14:52:36 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1363

A revelação do presidente Jair Bolsonaro de que quer ver a população armada com finalidade política ajuda a colocar ainda mais em risco o seu decreto de liberação da posse de armas.

O Senado vota hoje um projeto de lei para derrubar o texto presidencial.

No sábado, em sua primeira visita ao Rio Grande do Sul, o presidente declarou, durante um evento do Exército (vídeo acima), que defende o armamento individual do povo “para que tentações não passem pela cabeça de nossos governantes”.

“Ao que tudo indica, Bolsonaro quer organizar sua ‘guarda bolivariana’ de direita. De tanto fugir da Venezuela estamos a caminho dela com sinal trocado”, disse ao blog o senador Randolfe Rodrigues (Rede AP).

Ontem, no plenário da Câmara, seu filho Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) acrescentou à declaração do pai:

“Para que amanhã, se voltar um regime como o do governo Lula, a gente não fique sob os demandos de um regime autoritário, como ocorreu na Venezuela.”

O líder do PT no Senado, ficou indignado. Ao blog, defendeu impeachment do presidente:

“É uma afronta à Constituição e uma clara ameaça à democracia. Deixa claro o objetivo do decreto. Claramente configura crime de responsabilidade.”

O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que é delegado de carreira e adversário do PT afirma:

“Armar a população sob pretexto de defender a democracia lembra demais Hugo Chávez na Venezuela. Já sabemos onde isto vai dar.”

Segundo ele, “o decreto é inconstitucional, é preciso derrubar”.

Alessandro Vieira é autor de um requerimento de audiência pública para ouvir todos os interessados no tema: “Sou favorável à flexibilização da posse e do porte de armas de fogo, mas dentro de uma lógica técnica e equilibrada.”

Também o senador Cid Gomes, cujo irmão Ciro disputou as eleições presidenciais contra o PT, prefere nem entrar no mérito do projeto:

“Alguém já deve ter avisado ao presidente que ele errou ao fazer alterações por decreto. Ele então se embanana na discussão do mérito. Eu estou disciplinado a discutir a forma   –decreto ou lei– e estou convencido de que o decreto deve ser revogado.”

O líder do PSL, senador Major Olimpio (SP), argumenta em favor do presidente.

“Todas as grandes ditaduras foram desarmamentistas: China , Mussolini na Itália , Hitler, Fidel Castro… Para subjugar a população e escravizá-la sob um regime, o primeiro passo é desarmá-la. Este é o sentido da fala do presidente repetido por Eduardo. Nada além disto”, disse ao blog.

E Carlos Bolsonaro:

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Congresso espera nova MP de Bolsonaro repondo gratuidade parcial a bagagens http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/17/congresso-espera-nova-mp-de-bolsonaro-repondo-gratuidade-parcial-a-bagagens/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/17/congresso-espera-nova-mp-de-bolsonaro-repondo-gratuidade-parcial-a-bagagens/#respond Mon, 17 Jun 2019 22:35:41 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1357 Se o Planalto editar uma nova medida que permita a cobrança de bagagens no compartimento de carga apenas por as empresas baixo custo, o Congresso tende a manter o veto do presidente Jair Bolsonaro à MP das aéreas assinado hoje.

A franquia foi incluída pelo Congresso durante a votação da MP 863, que permite o funcionamento no Brasil de empresas aéreas com 100% de capital estrangeiro.

Foi uma sugestão da presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Simone Tebet (MDB-MS), e do líder do partido, senador Eduardo Braga (AM), acatada pelo relator e líder do PSDB, Roberto Rocha, que acabou aprovada em plenário.

Na sexta-feira (14), Bolsonaro disse que estuda a possibilidade de editar a nova MP. Seria uma forma de compensar o veto recomendado pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

O governo teme que a gratuidade para todas as aéreas impeça a entrada no Brasil de empresas estrangeiras classificadas como low cost (de baixo custo).

As bagagens em compartimento de carga até 23 quilos não eram cobradas no Brasil. Mas as empresas aéreas haviam sido autorizadas a cobrar pelo despacho desde dezembro de 2016, quando a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) editou uma resolução sobre o tema.

“Se o presidente não mandar essa nova MP, há uma boa chance de derrubarmos o veto”, disse ao blog Simone Tebet.

“Uma nova MP estabelecendo regras de cobrança só para as empresas de alto custo quebra a força do nosso argumento pela gratuidade e deve dividir a oposição ao veto” especula a senadora.

O texto aprovado pelo Congresso vedava a cobrança nos voos domésticos de bagagens:

  • até 23 kg nos aviões acima de 31 assentos;
  • até 18 kg para as aeronaves de 21 a 30 lugares;
  • até 10 kg se o avião tiver apenas 20 assentos.

Determinava ainda que, em voos com conexão, prevalecia a franquia da aeronave de menor capacidade.

Nos voos internacionais, o franqueamento seria feito pelo sistema de peça ou peso segundo critério de cada aérea.

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Bolsonaro tanto pediu que a reforma da Previdência virou coisa do Congresso http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/17/bolsonaro-tanto-pediu-que-a-reforma-da-previdencia-virou-coisa-do-congresso/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/17/bolsonaro-tanto-pediu-que-a-reforma-da-previdencia-virou-coisa-do-congresso/#respond Mon, 17 Jun 2019 13:21:40 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1350 Em tempos de parlamentarismo branco, o Congresso resolveu não dar margem para o presidente Jair Bolsonaro reclamar. A reforma da Previdência parece que vai sair mesmo do forno.

Só não será a reforma que o Posto Ipiranga do governo, o ministro Paulo Guedes, da Economia, pediu. Será a reforma que o Congresso quer.

Ou melhor: o Congresso fará a reforma da Previdência que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), negociar com os partidos políticos.

Maia disse neste final de semana que já tem o apoio de 15 legendas. Não nominou. Muito provavelmente são as dos Centrão somadas ao PSDB e ao Novo, mais algumas de oposição que andam meio em cima do muro, tipo PSB e PDT.

Até o PT e o PCdoB flertam com o demista quando se trata de enfrentar Bolsonaro. Mas estes devem cobrar uma desidratação maior para votar ou deixar andar o projeto.

No final, já é certo que não sairá a economia pedida por Paulo Guedes, de R$ 1,2 trilhão em dez anos.

O substitutivo do relator, Samuel Moreira (PSDB-SP), fala em R$ 913 bilhões. Mas o ministro tem dito que o substitutivo não contempla nem este valor. Reclama que ficou, no máximo, em R$ 860 bilhões.

Cálculos preliminares da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Congresso sobre o relatório apontam uma economia de cerca de R$ 740 bilhões com despesas previdenciárias em dez anos.

Isso se o texto não for mais desidratado ainda no plenário.

Guedes pode reclamar, mas o mercado não está tão insatisfeito assim. Qualquer coisa acima dos R$ 600 bilhões da reforma proposta pelo governo anterior, de Michel Temer, já é lucro.

E é com isso que Rodrigo Maia e o Centrão estão jogando.

E vem mais parlamentarismo branco por aí.

Maia já avisou que tem no forno um projeto de reforma tributária que não é o do governo. Mas que também tende a satisfazer o mercado.

O texto foi apresentado pelo líder do MDB, Baleia Rossi (SP), sobre proposta elaborada por Bernard Appy, ex-secretário de Política Econômica do governo Dilma Rousseff. O projeto de Appy também já circulou pelo mercado e pela campanha presidencial de Marina Silva (Rede).

O presidente da Câmara sinalizou ainda que, se Paulo Guedes insistir no regime de capitalização da Previdência retirado no substitutivo de Samuel Moreira, o Congresso deverá trabalhar com outra proposta, a do deputado eleito Mauro Filho (PDT-CE), secretário de Planejamento do Ceará.

O projeto de capitalização de Mauro Filho foi encampado por Ciro Gomes durante a sua campanha presidencial. Maia disse que pode votá-lo em separado no segundo semestre.

Tudo isso é a forma encontrada para reagir à tentativa do presidente Bolsonaro de responsabilizar os parlamentares pelos problemas na economia: o Congresso assume a responsabilidade, mas fica com a autoria real da proposta.

Guedes reclama. Mas não está claro ainda se não é isto mesmo o que Bolsonaro queria.

Afinal, o presidente sempre que pode também dá estocadas nas propostas econômicas do seu ministro,

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Maia e Centrão combinam aprovar Previdência na comissão em pleno São João http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/16/maia-e-centrao-combinam-aprovar-previdencia-na-comissao-em-pleno-sao-joao/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/16/maia-e-centrao-combinam-aprovar-previdencia-na-comissao-em-pleno-sao-joao/#respond Sun, 16 Jun 2019 17:14:16 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1341 O Plano é ambicioso. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acertou com os partidos do Centrão tentar votar o projeto de reforma da Previdência na comissão especial em plena semana de São João.

O Centrão do Congresso reúne cerca de 200 deputados de partidos como PP, PL, PSD, DEM, MDB, PRB, SD e PTB. Além desse grupo, Maia conta com o PSDB, o Cidadania e o Novo para apressar a votação.

O PSL, do presidente Jair Bolsonaro, também tem interesse na aprovação, mas vai tentar incluir no texto itens da proposta original do governo retirados pelo relator, Samuel Moreira (PSDB-SP).

Em 24 de junho, uma segunda-feira, é comemorado o Dia de São João. Os festejos no Nordeste vão pelos meses de junho e julho, com especial concentração na semana do dia 24, quando os deputados e senadores costumam ficar em suas bases eleitorais e não viajar para Brasília.

O próprio Rodrigo Maia desmarcou votações importantes no plenário durante a semana de São João para liberar a bancada nordestina.

Procurado pelo blog, o presidente da comissão, Marcelo Ramos, afirmou: “Não dá para submeter o Brasil às festas de São João, com todo o valor que elas têm para o país”.

Matematicamente, os festejos de São João têm grande peso no plenário geral da Câmara, mas não devem influir muito sobre a comissão da reforma da Previdência.

Dos seus 49 integrantes, apenas dois dos nordestinos têm suplentes da mesma região do país. Os outros podem ser substituídos por suplentes das demais regiões, onde os festejos são menores.

Os dois deputados: João Marcelo Souza (MDB-MA), cujo suplente é Marx Beltrão (PSD-AL); e Carlos Veras (PT-PE), cujo suplente é Danilo Cabral (PSB-PE). Veras e Cabral são contra o projeto. Nem Rodrigo Maia nem o Centrão contam com eles.

A dificuldade será superar as táticas de obstrução que as legendas oposicionistas prometem usar para adiar a votação.

A votação dos chamados destaques, que ocorre depois da aprovação do projeto, também deve dificultar o final dos trabalhos na comissão especial.

O líder do PSL, Delegado Waldir (GO), disse ao blog que pretende colocar alguns destaques em votação:

  • a volta ao texto do regime de capitalização, menina dos olhos do ministro da Economia, Paulo Guedes;
  • “derrubar privilégios a algumas carreiras mantidos no relatório”;
  • a extensão às demais carreiras de segurança pública dos benefícios concedidos aos militares.

PSL e o Novo não estão fechados com o Centrão, nem entre si, o que dificultará a votação.

Isso sem contar os destaques que deverão ser colocados pelos partidos de oposição.

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Nos bastidores, saída de Santos Cruz aumenta cerco de militares a Bolsonaro http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/nos-bastidores-saida-de-santos-cruz-aumenta-cerco-de-militares-a-bolsonaro/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/nos-bastidores-saida-de-santos-cruz-aumenta-cerco-de-militares-a-bolsonaro/#respond Fri, 14 Jun 2019 16:03:13 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1328 O general Santos Cruz perdeu o comando da Secretaria de Governo da Presidência por um simples motivo: o presidente Jair Bolsonaro considerou insustentável o relacionamento com o auxiliar direto.

Além de não se dar mais com os filhos do presidente, Santos Cruz passou a bater de frente com o novo secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten. O clima entre os dois ficou, de fato, insuportável.

Santos Cruz era um amigo antigo de Bolsonaro. Mas o relacionamento trincou desde que o general começou a não se entender com o filho pitbull do presidente, Carlos Bolsonaro, e trocou desaforos com o guru do Bolsonarismo, Olavo de Carvalho.

Numa última tentativa de esfriar a guerra, Bolsonaro convenceu os filhos a suspenderem os ataques ao general. Carlos parou. O próprio Olavo passou a controlar suas críticas.

Mas aí surgiu outro problema: o recém-nomeado Fábio Wajngarten. A escolha do secretário de Comunicação da Presidência não passou pelo crivo do general que o chefiaria e os dois logo começaram a disputar o poder real sobre a área de Comunicação.

Fabio chegou a denunciar o chefe direto, a quem estava subordinado, para o presidente da República. Entregou a Bolsonaro uma troca de mensagens no Whatsapp que atribuiu ao general. Nela, supostamente Santos Cruz chamava o presidente de idiota.

Bolsonaro colocou o general e Wajngarten frente a frente numa reunião para esclarecer o assunto no Palácio, com a presença do general Augusto Heleno e do chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

Desde então, quase que diariamente Santos Cruz passou a reclamar do secretário com o presidente. Até Bolsonaro concluir que não teria mais como permanecer com o general como seu auxiliar.

Mas aí surgiu outro problema: como tirar do cargo um general da ativa, respeitado, sem provocar uma crise militar?

Bolsonaro consultou outros dois generais do Palácio, Augusto Heleno e o ex-comandante do Exército Villas Bôas Correia, que por sua vez consultaram o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e o comandante do Exército, Edson Leal Pujol.

A solução apresentada ao presidente foi a de colocar outro general no lugar, para minimizar as versões de que um subordinado, Wajngarten, derrubou o chefe, Santos Cruz. Daí surgiu o nome do novo secretário de Governo, Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, comandante militar do Sudeste e também amigo de Bolsonaro.

Ou seja, foi uma verdadeira operação militar em que, embora o presidente aparentemente tenha demonstrado força, na prática ele estará mais ainda nas mãos dos militares.

Não dá para Wajngarten, Carlos Bolsonaro e Olavo de Carvalho arrumarem encrenca com este também. Saiu um general enfraquecido e entrou um general forte.

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O Centrão desceu do muro e foi abduzido pelas pautas econômicas do governo http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/o-centrao-desceu-do-muro-e-foi-abduzido-pelas-pautas-economicas-do-governo/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/14/o-centrao-desceu-do-muro-e-foi-abduzido-pelas-pautas-economicas-do-governo/#respond Fri, 14 Jun 2019 11:38:15 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1324

 

De repente, não mais que de repente, o Centrão –aquele grupo de partidos com cerca de 200 deputados que dita os rumos do Congresso–parou de criar problemas para o governo.

“Agora estamos num jogo de ganha-ganha. Nós e o governo entendemos que, antes, estávamos num jogo de perde-perde”, explica o deputado Efraim Filho (PB), ex-líder e um dos caciques do DEM, em entrevista ao blog (vídeo acima);

Efraim revela que o acordo tácito com o governo funcionará para as pautas econômicas. Nas pautas de costumes, é cada um por si.

Por conta disso, notou-se no Congresso que PP, DEM, PL, PSD, PRB, SD e demais partidos do chamado Centrão passaram a dar velocidade à tramitação das matérias econômicas da pauta.

Depois de algumas quedas de braço com o Planalto, o grupo também parece ter ensinado o presidente Jair Bolsonaro a negociar.

Mais do que cargos, o Orçamento passou a ser a chave da negociação, admite Efraim.

No que consiste essa “nova política”?

Os parlamentares aprovaram uma emenda constitucional determinando que todas as emendas –individuais e de bancadas– agora obrigatoriamente têm que ser liberadas.

E o governo ainda mantém algum poder: ele determina o fluxo de liberação dessas verbas. É o que está se chamando no Congresso de parlamentarismo branco.

Por conta desse acordo tácito, a reforma da Previdência ganhou nova força.

O relator apresentou um parecer contemplando quase R1 trilhão de poupança para os Tesouro nos próximos dez anos, que era quanto o ministro da Economia, Paulo Guedes vinha pedindo. E o presidente da Comissão especial, Marcelo Ramos (PL-AM), abandonou a postura oposicionista das semanas anteriores.

Efraim de Moraes fala até na possibilidade de adiamento do recesso parlamentar para dar tempo de votar a reforma na Comissão no primeiro semestre. É difícil, mas não é impossível.

Nesta semana ocorreu um feito inédito: o projeto de suplementação orçamentária de R$ 248,9 bilhões em créditos para o governo obteve o voto favorável de 450 deputados e 61 senadores, sem nenhum contra. Unanimidade dos presentes em plenário.

Capitaneado pelo Centrão, o governo cedeu a praticamente todos os partidos, da esquerda e da direita, da oposição e da chamada base governista. E acabou obtendo a aprovação do projeto.

Se fosse derrotado, estaria sujeito a quebrar a chamada “regra de ouro do orçamento”, o que levou ao impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

A estratégia agora é essa: quando o assunto for economia, liderados pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), os partidos do Centrão negociarão uma solução.

E se a oposição quiser participar, poderá até tirar uma casquinha, como foi o caso da suplementação orçamentária.

Os partidos de esquerda negociaram e conseguiram garantir o descontingenciamento de R$ 1 bilhão para a educação, outro R$ 1 bilhão para o Minha Casa Minha Vida, R$ 350 milhõs para Ciência e Tecnologia e R$ 550 milhões para transposição do Rio São Francisco e para a Defesa Civil.

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“Que Bolsonaro convide o Olavo para o governo”, reage Alexandre Frota http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/13/que-bolsonaro-convide-o-olavo-para-o-governo-reage-alexandre-frota/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/13/que-bolsonaro-convide-o-olavo-para-o-governo-reage-alexandre-frota/#respond Thu, 13 Jun 2019 22:45:22 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1319 A demissão do general Santos Cruz do comando da Secretara de Governo da Presidência da República é mais um sinal do fortalecimento do guru da família Bolsonaro, o escritor Olavo de Carvalho.

Santos Cruz, o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, e outros militares foram atacados por Olavo de Carvalho em diversos posts nas redes sociais.

Também se desentendeu com os generais o filho pitbull do presidente, Carlos Bolsonaro.

O deputado Alexandre Frota (PSL-SP) disse que reagiu com tristeza à notícia.

“Achei péssimo. O general é um cara extremamente profissional, que defende o presidente. Um cara que estava fazendo um  trabalho de cortes de gastos e tem uma conduta exemplar. O governo perde muito com a saída dele. Muito”, disse ao blog.

Perguntado sobre o fortalecimento de Olavo de Carvalho, Frota respondeu:

“Olavo é um maluco, idiota, sem noção. Não vale o que come. Se Bolsonaro depende tanto assim do Olavo, convida ele para ser algo no Governo.”

Ele sugeriu até um cargo: “Guru federal.”

O deputado, no entanto, disse conhecer e ser amigo do substituto de Santos Cruz, o general Luiz Eduardo Ramos Baptista Pereira, atual comandante militar do Sudeste:

“Por outro lado soube que o general Ramos é quem vai substituir o Santos Cruz. É uma excelente escolha. Uma pessoa extremamente competente e com quem também tenho amizade e respeito.”

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Nossa telefonia é aberta a fraudes, diz especialista em crimes cibernéticos http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/13/nossa-telefonia-e-aberta-a-fraudes-diz-especialista-em-crimes-ciberneticos/ http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/2019/06/13/nossa-telefonia-e-aberta-a-fraudes-diz-especialista-em-crimes-ciberneticos/#respond Thu, 13 Jun 2019 11:45:31 +0000 http://talesfaria.blogosfera.uol.com.br/?p=1314


O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) é delegado e especialista em crimes cibernéticos.

Em entrevista ao blog ele explica que a grande maioria de casos de roubo de dados de celulares, como o que provavelmente ocorreu com a força-tarefa da Lava Jato, decorrem do descuido do próprio usuário com o aparelho, ou pela chamada “engenharia social”, em que a vítima acaba fornecendo os dados.

Mas Alessandro Vieira também aponta uma outra possibilidade que decorre do atraso do sistema de telefonia brasileira:

“Há ataques usando uma fragilidade do sistema de telefonia chamada de “SS7”. É muito conhecida no mundo digital há alguns anos e permite fazer a clonagem da linha telefônica”, explica.

Segundo ele, essa fragilidade decorre de um protocolo que funcionava bem quando as redes se destinavam somente a ligações telefônicas. Mas, agora, para tráfego de dados, o SS7 deixa o sistema aberto a fraudes.

O Sistema de Sinalização nº7 (SS7) age como intermediário entre redes de celulares.

Quando as chamadas ou as mensagens de texto são feitas através desse sistema, detalhes como a transferência de SMS ou a tradução de códigos que ligam uma rede a outra ficam acessíveis.

Em junho de 2013, quando Glenn Greenwald e Edward Snowden, revelaram programas secretos de vigilância global dos Estados Unidos, efetuados pela sua Agência de Segurança Nacional (NSA), descobriu-se que a rede SS7 estava sendo usada como ferramenta pelos hackers para interceptações de dados.

Alessandro Vieira conta que cerca de 800 empresas de telefonia no mundo, ainda usam esse sistema. “É uma fragilidade que demanda uma renovação tecnológica que o Brasil tem que descontinuar”, afirma o senador-delegado.

Mas Alessandro Vieira insiste: “A grande maioria dos casos decorre de falhas do próprio usuário”. E aponta algumas delas:

  • não ter baixado as atualizações recomendadas pelo sistema operacional do celular;
  • utilização de senhas fracas;
  • ter baixado aplicativos que não são provenientes de lojas oficiais.

Alessandro não dá importância às teorias que citam a origem russa do aplicativo Telegram, usado por Deltan Dallagnol e Sérgio Moro nas conversas, como fonte de espionagem.

Mas lembra que o Telegram usa código aberto e isso, segundo ele, torna mais fácil para os hackers testarem funcionalidades e encontrar falhas de comunicações.

O senador ressalta que o Telegram, no entanto, permite trocas de mensagens criptografadas ponto a ponto, assim como programar o tempo para que elas sejam apagadas.

É uma funcionalidade que o usuário tem que ativar, o que provavelmente não foi feito pelo pessoal da Lava Jato.

Do ponto de vista político, do conteúdo das mensagens trocadas entre Moro e Dallagnol, Alssandro Vieira diz que “é problemático ter diálogos muito aproximados entre magistrado e uma das partes”, mas que ainda não viu “nenhum diálogo que comprometa”.

Ele lembra que em Brasília “são notórios eventos e jantares financiados por grandes bancas de advogados e empresas investigadas onde os ministros vão alegremente e nunca se teve nenhuma notícia de questionamento”. Daí porque, afirma, apresentou um requerimento de criação da chamada CPI da Lava Toga, que foi arquivada pelo Senado. “Isso tem que acabar”, afirma.

A propósito do vazamento das conversas de Moro com Dallagnol, Alessandro Vieira argumenta:

“Não vale a narrativa dos heróis da Lava Jato. O Brasil não precisa de heróis, precisa de bons exemplos. Mas não vale também a narrativa dos perseguidos políticos. Pois tivemos montanhas de dinheiro, extratos bancários, confissões, bilhões de reais devolvidos que não deixam dúvidas”.

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