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Governo federal fará intervenção na administração da Ceagesp

Tales Faria

01/02/2019 13h30

O governo federal vai intervir na administração da Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). Levantamento preliminar do Ministério da Agricultura e do TCU (Tribunal de Contas da União) concluiu que há indícios de má gestão e problemas em contratos da empresa pública.

A Ceagesp mantém a maior rede pública de armazéns, silos (grandes depósitos, em forma de cilindro, para guardar produtos agrícolas) e graneleiros (locais que recebem ou abrigam mercadorias a granel) do estado de São Paulo.

Conta também com a maior central de abastecimento de frutas, legumes, verduras, flores, pescados e diversos (alho, batata, cebola, coco seco e ovos) da América Latina – o Entreposto Terminal São Paulo (ETSP). Situado na zona oeste da capital paulista, pelo local circulam diariamente cerca de 50 mil pessoas e 12 mil veículos.

Trata-se de uma empresa pública federal vinculada ao Ministério da Agricultura.

Ofícios enviados por associações de permissionários ao TCU e ao ministério deflagaram o processo de investigação no órgão.

Tanto os técnicos do TCU como o ministério estão convencidos de que não dá mais para manter o atual esquema de comando da companhia.

O Palácio do Planalto está decidido a privatizar o órgão. A ideia é promover a intervenção e logo depois privatizar.

No último ofício enviado à ministra Tereza Cristina, os permissionários cobraram o bloqueio e auditoria nos contratos de segurança, limpeza, estacionamento e manutenção (veja o texto mais abaixo).

Os diretores da Ceagesp têm sido nomeados por apadrinhados de políticos aliados ao governo federal. Desde 2001 –sob o comando de governos do PSDB, do PT e do MDB– a empresa é alvo de acusações de corrupção.

O atual presidente da estatal, Johnni Hunter Nogueira, foi indicado pelo deputado federal Fausto Pinato (PP-SP), que também colocou seu pai, Edilberto Donizete Pinato, como chefe de Governança Corporativa.

O ex-ministro Blairo Maggi chegou a tentar mexer no comando da companhia, mas foi desautorizado pelo então presidente, Michel Temer.

O atual governador e ex-prefeito da capital, João Doria (PSDB), já anunciou tratativas com o governo federal para transferir a companhia para outra área.

O gerente do Departamento Jurídico da Ceagesp, Christopher Rezende, enviou mensagem ao blog em que afirma tratar-se "apenas de ofensa subjetiva às pessoas dirigentes da companhia. Segundo ele "os responsáveis pelo pedido de intervenção são pessoas condenadas pela justiça, em decorrência de má gestão exatamente da Ceagesp, no passado, e a todo custo e a qualquer pretexto pretendem retornar a administração para continuarem satisfazendo ilicitamente a sua vontade particular."

Também a coordenadora de Comunicação e Marketing da Ceagesp, Luciana Souza Damasceno Casa, enviou e-mail com as seguintes afirmações:

"Não há nenhuma informação oficial vinda do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a qual a CEAGESP é subordinada, sobre qualquer tipo de intervenção conforme relata o jornalista, mesmo porque não existe sequer previsão legal para intervenção. Também não há nenhum relatório oficial que aponte indícios de má gestão ou conduta por parte da empresa.

Não há nenhuma informação oficial vinda do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), a qual a CEAGESP é subordinada, sobre qualquer tipo de intervenção conforme relata o jornalista, mesmo porque não existe sequer previsão legal para intervenção. Também não há nenhum relatório oficial que aponte indícios de má gestão ou conduta por parte da empresa.

Importante ressaltar que o documento apresentado na matéria faz parte apenas de uma pequena parte de permissionários e não condiz com a opinião de todos."

Abaixo, eis o ofício enviado pelos permissionários à ministra Tereza Cristina:

 

 

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.