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Tales Faria

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As redes sociais elegeram o presidente do Senado

Tales Faria

03/02/2019 20h01

A eleição de Davi Alcolumbre (DEM-AP) como presidente do Senado surpreendeu os analistas políticos mais até do que a eleição do próprio Jair Bolsonaro para presidente da República.

Alcolumbre era um senador quase desconhecido na metade de seu primeiro mandato. E vem do 3º Estado mais pobre do Brasil, atrás apenas de Roraima e Acre.

Beneficiou-se da péssima imagem do adversário Renan Calheiros (MDB-AL) junto à opinião pública e dos gestos de destempero do senador alagoano durante o processo de votação. Também ganhou com o racha interno no MDB que o levou a receber o apoio da ex-líder Simone Tebet (MS). E de outros fatores.

Mas a grande novidade foi a força das redes sociais sobre o processo eleitoral no Senado.

As mesmas redes que elegeram Bolsonaro estão ditando mais e mais as decisões dos parlamentares.

Dos 81 senadores, 46 foram eleitos agora. Quase todos se pautaram pelas manifestações de seus eleitores na rede.

Ficavam ligados nos celulares, avaliando mensagens de seus grupos de WhatsApp e de email.

Um deles, Jorge Kajuru (PSB-GO), chegou a fazer uma enquete na internet para decidir seu voto.

A internet deu vitória ao voto aberto na sessão preparatória da eleição do comando da Casa. E o voto aberto foi decisivo em favor de Davi Alcolumbre.

Esse poderá ser o grande fenômeno dessa 56ª legislatura.

Como andarão as reformas se os parlamentares começarem a manter uma comunicação em tempo real com seu eleitorado?

Quem terá mais peso sobre suas decisões, as cúpulas partidárias, os governos ou a opinião direta de seus eleitores distribuídos em grupo disto ou daquilo nas redes sociais?

Será isso um tipo de democracia direta em andamento?

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.