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Tales Faria

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Derrotado, MDB se recompõe como um pote até aqui de traições

Tales Faria

2005-02-20T19:17:53

05/02/2019 17h53

Derrotado na disputa pela presidência do Senado, Renan Calheiros refugiou-se em sua terra natal, Alagoas. Mas continua em contato com amigos. A estes explicita sua mágoa contra aqueles que considera tê-lo traído.

Dois nomes estão no topo da lista: o ex-presidente do Senado, Eunício de Oliveira (MDB-CE), e o atual presidente nacional do MDB, Romero Jucá (RR), a quem Renan considerava um amigo pessoal.

Eunício teria traído ao se recusar a continuar no comando do Senado até o final do prazo, impedindo, por exemplo, que Davi Alcolumbre (DEM-AP) sentasse na cadeira antes do tempo. Eunício teria viajado para o Ceará antes do tempo, deixando Renan a ver navios.

Quanto a Romero Jucá, Renan identificou colegas para quem o amigo argumentou que Simone Tebet (MDB-MS) seria uma candidata mais forte para disputar a presidência do Senado.

Da derrota por 7 a 5 na indicação de seu partido, Simone Tebet, também trouxe o gosto amargo da traição.

Fernando Bezerra (PE), que lhe havia prometido apoio na bancada, votou em Renan sob o argumento de que queria "evitar um empate maléfico de 6 a 6".

Outro emedebista, Jarbas Vasconcelos (PE), prometeu voto em Renan e Simone e acabou faltando à reunião decisiva da bancada. "Eu venceria por 7 a 6 com esses dois votos", declarou a senadora. Na disputa em plenário entre Renan e Davi Alcolumbre, Jarbas foi dos poucos senadores que não mostrou o voto. Até hoje não se sabe em quem ele votou.

Agora se iniciou uma nova fase de traições na bancada. Com Simone Tebet fortalecida pela eleição de Davi Alcolumbre, os antigos aliados de Renan passaram a falar em pacificação.

É a senha para conquistar espaço na nova distribuição de poder no Senado, em que a antiga líder fará a interlocução plo partido com o presidente da Casa e seus aliados no PSDB, PSD, DEM e na Rede.

Fernando Bezerra se recompôs com Simone. Outro renanzista, Jader Barbalho (PA) nem sequer votou no colega contra Davi Alcolumbre. Deixou o plenário antes de chamarem seu nome. O ex-renanzista Eduardo Gomes (TO) também aproximou-se de Simone. Pode ser indicado para o lugar do MDB na Mesa Diretora, a 2ª Secretaria. E o atual líder, Eduardo Braga, tornou-se "um pacificador".

Aos poucos, entre abandonos, traições e reencontros, o MDB vai-se ajeitando no espaço mais reduzido da política com que lhe restou após as eleições de 2018.

Nota do Blog: O senador Eunício Oliveira telefonou para o blog na quarta-feira (6), às 14h. e  informou que só nesse dia viajou para o Ceará: "Estava em Brasília até agora. Fiquei como presidente do Senado até o último momento do meu mandato, meia noite do dia 31. Não teria como impedir o Davi de assumir no dia 1º. Nem poderia editar antes um ato dizendo que ele não podia assumir. Não traí, nem trairia ninguém do meu partido."

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.