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Tales Faria

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Presidente do Inep marcou gol contra e foi retirado de campo. E o ministro?

Tales Faria

2017-05-20T19:12:23

17/05/2019 12h23


Lembra desse vídeo?

Trata-se de um pequeno trecho de uma entrevista coletiva de imprensa concedida pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, e pelo presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), delegado Elmer Vicenzi.

Foi quando eles anunciaram que o Sistema de Avaliação do Ensino Básico (Saeb) neste ano custará apenas R$ 500 mil. Depois, como se sabe, o Ministério divulgou que houve um engano. Não serão R$ 500 mil, mas R$ 500 milhões.

Weintraub disse que Elmer Vicenzi "veio para cá para fazer mágica. E já chegou marcando gol". Orgulhoso, o subordinado respondeu: "Missão dada!"

Uma alusão ao bordão militar "Missão dada, missão cumprida" usado pela 16ª Legião do Império Romano, criada no ano 70 depois de Cristo e já repetido por Jair Bolsonaro algumas vezes.

O fato é que foi um tremendo gol contra.

E o delegado Vicenzi ainda insistiu junto aos repórteres incrédulos. Disse que os R$ 500 mil não eram surpresa, e que previstos da LOA (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Este blog procurou os tais R$ 500 mil na LOA mas não achou

Como se vê, o presidente do Inep não sabia de nada. E fez o ministro também passar vergonha.

Aí, por culpa do próprio Weintraub. Apressado em bater nas universidades, o ministro afirmou que os R$ 500 mil são um gasto "praticamente desprezado por certas instituições que recebem bilhões".

Resultado da brincadeira, Vicenzi acabou expulso da partida ontem.

Rumores internos dão conta de que teria sido por desentendimentos com a procuradora do Inep, Carolina Scherer Bicca.

Mas o fato é que Weintraub, como técnico, achou por bem punir o jogador que já havia marcado gol contra.

Vale perguntar: E quanto a ter desencadeado as primeiras grandes manifestações de rua contra o governo? Também não foi um gol contra?

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.