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Tales Faria

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Apesar das críticas do filho, café da manhã com Bolsonaro deve continuar

Tales Faria

22/07/2019 09h44

As críticas de Carlos Bolsonaro aos cafés da manhã que seu pai tem realizado com jornalistas não foram suficientes, ainda, para o presidente Jair Bolsonaro desistir da sua realização.

Não houve ordem do presidente para acabar com os encontros e a tendência no Planalto é de continuar com o evento.

Carlos Bolsonaro tuitou no sábado que esses cafés da manhã deviam acabar, pois só servem para prejudicar o presidente.

"Sei exatamente o que acontece e por quem, mas não posso falar nada porque senão é fogo amigo", disse, referindo-se aos organizadores dos encontros.

O principal deles é o porta-voz da Presidência, general Otávio do Rêgo Barros.

Na sexta-feira (19), em conversa vazada com o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil), no início do café com jornalistas estrangeiros, Bolsonaro afirmou que dos "governadores de 'paraíba', o pior é o do Maranhão; tem que ter nada com esse cara".

A interpretação no Palácio é de que terminar com os encontros agora só serviria para amplificar as críticas ao presidente.

Há no governo uma corrente que avalia que o Bolsonaro tem falado demais ultimamente, o que dá chance a escorregadas como a do café com a imprensa estrangeira.

Mas também há dentro do Planalto a avaliação de que os encontros têm melhorado a relação pessoal de Bolsonaro com jornalistas que cobrem política, historicamente muito ruim. E que o saldo entre notícias positivas e negativas resultantes dos encontros tem sido favorável ao governo.

Quanto a Carlos Bolsonaro, não é a primeira crítica que ele dirige à área de Comunicação do governo. Já conseguiu demitir dois ministros em discussões sobre o assunto: Santos Cruz, da Secretaria de Governo, e Gustavo Bebiano, da Secretaria Geral.

O filho do presidente também tem criticado a influência dos generais sobre o governo do pai. Em dobradinha com o guru bolsonarista Olavo de Carvalho, Carlos acha que os militares tentam tutelar o presidente e que eles precisam ter menos poder.

 

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.