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Tales Faria

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“Bolsonaro causa estresse e instabilidade” diz governador do Espírito Santo

Tales Faria

23/08/2019 07h54

O Espírito Santo recebe nesta sexta-feira e no sábado governadores e secretários dos outros seis estados integrantes Consórcio de Integração do Sul e Sudeste (Cosud).

O governo federal tem tentado transformar os encontros com os governadores da região numa espécie de contraponto ao oposicionismo do consórcio de governadores do Norte e Nordeste.

O presidente Jair Bolsonaro aproveita que o foco desta 7ª reunião do Cosud será infraestrutura e gás e promete enviar o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Também mandará o secretário-executivo Adjunto do Ministério de Minas e Energia, Bruno Eustáquio Ferreira Castro de Carvalho.

Mas o clima ameno do grupo de governadores em relação ao governo não é o mesmo das reuniões anteriores.

O mandatário de São Paulo, João Doria (PSDB), já está em ritmo de pré-campanha presidencial e resolveu distanciar sua imagem de Bolsonaro. Outro que estará presente é o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Também cada vez mais afastado do governo, Maia entrou na polêmica sobre a Amazônia.

O presidente da Câmara declarou nesta quinta-feira que não deixará serem aprovadas leis contrárias à proteção da floresta, e que abrirá diálogo com os países europeus sobre formas de preservação do meio ambiente.

Procurado pelo blog, o anfitrião do evento, governador Renato Casagrande (PSB), diz que a principal preocupação do grupo é com a retomada do desenvolvimento e a necessidade de criação de empregos. Ele elenca quatro motivos pelos quais o país está parado:

  • "O primeiro é que o governo criou a expectativa de que a reforma da Previdência resolveria todos os problemas, quando, na verdade, ela não estimula a economia e até tira recursos, especialmente dos mais pobres;
  • O segundo erro é a instabilidade institucional e o enfrentamento entre poderes. Um estresse que é causado por declarações do presidente visando uma polarização com o PT que só prejudica o país;
  • O terceiro problema é resultado do anterior, pois a instabilidade entre poderes e a polarização ideológica provocam preocupações na sociedade de que pode ocorrer um rompimento de contratos já estabelecidos;
  • E o quarto motivo para a situação que nos encontramos é que o governo não tomou medidas efetivas para dinamizar a economia."

Segundo Casagrande, do ponto de vista do crescimento econômico, o ano está perdido. Agora o jeito é tentar aprovar "talvez, uma parte do pacto federativo" e, até o final do ano, uma pauta de reivindicações dos governadores para estados e municípios resistirem à crise.

Tudo isso em meio a um quadro político difícil, agravado pela antecipação das campanhas eleitorais de 2020 e 2022.

"A campanha para as eleições municipais do ano que vem já começou. E o comportamento do presidente Bolsonaro de enfrentamento com o PT, é de quem está em campanha pela reeleição em 2022", diz Casagrande.

O governador vê personagens da centro-direita tentando uma candidatura alternativa a Bolsonaro e o PT. Três deles estarão presentes no Cosud: o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), Rodrigo Maia e o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

O campo da centro-esquerda ainda não está claro. Casagrande defende que o seu partido, o PSB, construa um nome. "Nós vamos ter candidato próprio, isso é certo.", afirma. Mas ele não se arrisca a antecipar as opções.

Uma aliança com Ciro Gomes, do PDT? Casagrande não responde claramente: "Precisamos acabar com a polarização entre Bolsonaro e o PT."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.