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Tales Faria

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Líder do PSL não aceita orientação do partido contra a CPI da Lava Toga

Tales Faria

10/09/2019 10h53

"Jamais retirarei minha assinatura da CPI" disse ao blog o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP).

Ele se refere ao requerimento de criação da Comissão Parlamentar de Inquérito da Lava Toga, que visa investigar "condutas ímprobas, desvios operacionais e violações éticas por parte de membros do Supremo Tribunal Federal e de tribunais superiores do país".

A CPI é apoiada por defensores da Lava Jato que suspeitam da atuação de ministros do STF contra investigações sobre corrupção de políticos.

Os ataques aos ministros da Corte chegaram a ser uma das bases das campanhas eleitorais dos filhos do presidente da República, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Ontem o presidente nacional do PSL, deputado Luciano Bivar (PE), soltou nota afirmando que ele, e não o senador Flávio Bolsonaro, é quem está pedindo aos integrantes do partido que retirem as assinaturas do requerimento. Veja a nota:

Investigado por envolvimento em irregularidades no seu gabinete, quando deputado estadual, e até em favorecimento de milicianos, Flávio Bolsonaro não assinou o requerimento contra os ministros do STF.

O líder Major Olímpio explica por que manterá sua assinatura:

"Porque o partido nunca debateu este tema. Nunca! A CPI é um instrumento, e talvez o único, para investigar o STF. Eu e as duas senadoras do PSL assinamos com consciência e responsabilidade e principalmente em sintonia com a população que nos elegeu."

Mas uma senadora do DEM,  Maria do Carmo Alves (SE), já retirou a assinatura. Autor do requerimento de instalação da CPI Alessandro Vieira (Cidadania-SE) busca outro colega para voltar a ter número mínimo para instalar a comissão.

Outro problema é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Ele voltou a declarar ontem que considera inconstitucional o Legislativo investigar o Judiciário.

Alessandro Vieira rebate:

"Espero que o senador Davi Alcolumbre leia e siga o que está disposto na nossa Constituição. É nela que está escrito o único pacto válido de coexistência democrática entre os poderes. Ele prevê equilíbrio e independência para Executivo, Legislativo e Judiciário, com um sistema de freios e contrapesos recíprocos. No caso do Judiciário, seu poder é limitado e fiscalizado pelo Legislativo, através do Senado da República. Um poder absolutamente imune a qualquer tipo de controle ou fiscalização é incompatível com o regime democrático. Na verdade, teríamos aí uma verdadeira ditadura. A ditadura da toga."

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.