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Eduardo Bolsonaro diz que sua indicação não está atrelada à de Augusto Aras

Tales Faria

11/09/2019 10h41

 

"Minha indicação para a embaixada dos EUA não está atrelada à do procurador-geral da República", disse ontem à noite ao blog o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro.

Eduardo afirma que ainda não tem uma data definida para o pai oficializar ao Senado a sua indicação como embaixador.

Depois disso, ele será submetido a uma sabatina na Comissão de Relações Exteriores (CRE). Cabe ao colegiado sugerir a aprovação ou não de seu nome ao plenário. E o Senado decidirá, afinal, se o deputado assume o cargo de embaixador.

"Hoje, a minha avaliação é de que serei aprovado. Sinto simpatia pelo meu nome da maioria dos senadores com quem conversei, incluindo alguns daqueles ditos como indecisos", disse ao blog no Salão Azul do Senado.

O deputado afirma que seu nome ainda não foi oficializado porque combinou com o pai que isso só ocorra depois que ele falar com todos os senadores.

"Quantos faltam?", pergunta o blog.

Ele não responde. Mas insiste que a data não está atrelada à sabatina na Comissão de Constituição e Justiça de Augusto Aras, indicado por Jair Bolsonaro para o cargo de procurador-geral da República.

Eduardo confirma que acompanhará o pai na abertura da Assembleia Geral da ONU, no próximo dia 24 em Nova York. Segundo ele, não está definido sequer se sua indicação será oficializada antes da viagem.

Quanto a Augusto Aras, o provável futuro chefe do Ministério Público reuniu-se com líderes partidários no gabinete do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Publicamente, os senadores têm demonstrado maior disposição em aprovar seu nome do que o de Eduardo Bolsonaro como embaixador em Washington.

O líder da oposição, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), diz que já há maioria para derrubar a indicação do filho do presidente em plenário. Mas ele não garante o mesmo quanto a Aras, embora pessoalmente tenha anunciado seu voto contra o procurador.

Outros senadores de oposição, no entanto, têm se declarado simpáticos a Augusto Aras. É o caso de Otto Alencar (PSD-BA), conterrâneo do indicado. O líder do PT, Humberto Costa (PE), e o pedetista Cid Gomes (CE) declararam ao blog que decidirão seu voto sobre o procurador-geral após a sabatina na CCJ.

"Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Minha indicação não influi na decisão do Senado sobre aprovar ou não o novo procurador-geral. E nem o contrário. Por isso, as datas estão sendo decididas sem que um caso influencie o outro", disse Eduardo Bolsonaro ao blog.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.