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Tales Faria

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Caravana de senadores à canonização de Irmã Dulce pode atrasar Previdência

Tales Faria

02/10/2019 16h23

Os articuladores políticos do governo souberam que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), planeja levar uma caravana de dez a 15 senadores ao Vaticano para assistir à canonização de Irmã Dulce pelo papa Francisco.

Aprovado o primeiro turno da reforma da Previdência, o governo passou a pressionar Alcolumbre a votar o segundo turno do projeto ainda na semana que vem.

A cerimônia de canonização está marcada para o dia 13, domingo da próxima semana.

"Vai ficar muito feio para o Congresso dizer que os senadores deixaram de votar a Previdência e partiram em caravana para a Itália", disse um dirigente da área econômica ao líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE).

Para o governo pouco importa a briga entre deputados e senadores para saber qual parcela dos recursos da cessão onerosa do petróleo destinada aos estados será carimbada por emendas parlamentares ou administrada pelos governadores.

Essa briga já fez com que o primeiro turno não fosse concluído ontem e, ainda, provocou a derrubada do item que dificultava a concessão de abono salarial na reforma da Previdência.

O que importa ao governo é que o impasse está atrasando a votação do segundo turno e ainda provocando queda na arrecadação previdenciária.

Mas os senadores insistem que faz parte do pacto federativo deixar aos governadores a maior parte dos recursos e querem que o governo federal intervenha junto aos deputados.

O problema é que o governo está sem capacidade de negociação: os deputados, sob o comando do Centrão, têm tido mais influência sobre o Planalto do que os senadores.

Mais do que isso: os articuladores políticos do Ministério da Economia reclamam que o Planalto está sem qualquer articulador político tratando do episódio, deixando correr solto o impasse.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.