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Tales Faria

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Democracia e fake news em jogo na decisão sobre os separatistas catalães

Tales Faria

02/10/2019 04h00

Está previsto para os primeiros dias deste mês de outubro o anúncio do resultado de um dos maiores julgamentos da história da Espanha, que começou em fevereiro. A decisão pode contaminar toda a política do país daqui para a frente.

Sete magistrados da Segunda Seção (criminal) do Supremo Tribunal julgaram 12 líderes do chamado "processo independentista" catalão (conhecido popularmente como "el procés").

O sucesso do movimento separatista na Espanha pode influenciar toda a União Europeia. Fala-se que pelo menos 20 regiões da Europa têm potencial separatista.

A Catalunha, com sua capital, Barcelona, não é só a primeiro destino turístico da Espanha. Tem também a maior participação no PIB industrial do país, com uma fatia de cerca de 18% a 19%.

Há suspeitas de que, assim como teria influenciado na eleição de Donald Trump nos EUA, com o disparo massivo de fake news, a Rússia estaria por trás de inúmeras notícias falsas espalhadas nas redes sociais para influenciar os movimentos separatistas na União Europeia.

Documento do governo espanhol, ao qual o blog teve acesso, lista 40 notícias distribuídas na internet que considera como fake news.

As que irritam mais o governo são aquelas que apontam a Espanha como um país sem democracia. Para respondê-las, foi editada cartilha com uma tabela em que responde, entre outros pontos:

Os 12 réus são acusados pelos fatos ocorridos em setembro e outubro de 2017, durante o movimento de secessão da Catalunha do resto do país.

No início da década de 80, a região já havia recuperado um alto grau de autonomia.

Mas, em 2017, os independentistas obtiveram maioria no Parlamento Catalão. Realizaram um referendo ao qual os defensores da permanência sob território espanhol praticamente não compareceram.

Mesmo assim foi declarado o rompimento com o governo espanhol.

Outros seis envolvidos, incluindo o ex-presidente da Catalunha Carles Puigdemont, não estão no banco dos réus porque a legislação espanhola impede julgamento pessoas ausentes. São considerados fugitivos e em autoexílio na Bélgica, Suíça e Reino Unido.

O resultado do julgamento pode determinar se algum dia retornam ou se estarão definitivamente exilados (ou fugitivos) de seu país.

Seja ele a Espanha ou a Catalunha.

 

 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.