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Senado resistirá à aprovação do nome de Eduardo Bolsonaro como embaixador

Tales Faria

12/07/2019 11h52

A indicação do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para embaixador do Brasil nos EUA sofrerá grandes resistências no Senado.

Para assumir o posto, o filho do presidente Jair Bolsonaro precisará ter seu nome aprovado pelo plenário da Casa. Antes, será sabatinado na Comissão de Relações Exteriores (CRE).

Formalmente o governo só tem o apoio de seu partido na Casa, o PSL, com quatro senadores.  Na prática, suas vitórias e derrotas dependeram do tema em votação. Como se tivesse o apoio informal de metade dos 81 senadores.

Na Comissão de Relações Exteriores (CRE) a situação é semelhante. São dezessete votos. Como no plenário, oposicionistas e governistas na CRE estão divididos mais ou menos ao meio, dependendo do tema. O blog enviou aos membros da comissão a seguinte pergunta:

– O que acha da provável indicação do deputado Eduardo Bolsonaro para embaixador do Brasil nos EUA?  Na sua avaliação a nomeação será aprovada pela CRE? E pelo plenário?

Entre titulares e suplentes, onze responderam. Cinco contrários à aprovação de Eduardo Bolsonaro, três a favor e três sem uma opinião explícita:

Nelsinho Trad (PSD-MS), presidente da CRE: "Se não existir nenhum impedimento de natureza legal, no mérito acho viável sim. E creio que passará pela sabatina na comissão e no plenário. Eduardo não chegou onde está só pelo sobrenome Bolsonaro. Ele tem seu valor e, na minha avaliação, surpreenderá positivamente nessa nova missão. Precisa só ajustar o ímpeto ideológico nessa nova etapa. Exercitar a diplomacia, como faz –e muito bem– o irmão mais velho, senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ)".

Marcos do Val (Cidadania-ES), vice-presidente da CRE: "Sou contra. É uma embaixada estratégica, que se relaciona com o restante do mundo. O titular tem que ter no mínimo 30 anos de carreira e passado por outras embaixadas. No ano que vem teremos eleições para presidente dos EUA. Se um democrata for eleito, teremos problemas. Não é nada pessoal, mas espero que a indicação não seja aprovada."

Otto Alencar (BA), líder do PSD: "Parafraseando o baiano Otávio Mangabeira, pense num absurdo e o governo Bolsonaro tem precedentes. Eu votarei contra. Não tenha dúvida. Isso, no mínimo é nepotismo."

Romário (Podemos-RJ): "Na minha opinião, ele tem algumas credenciais que fazem com seja aprovado. E é o filho do Presidente. Sendo assim, o tratamento será bem diferente, positivamente falando, do que seria dado a qualquer outro embaixador. Se depender do meu voto, será nomeado."

Randolfe Rodrigues (Rede-AP), líder da Oposição: "É um absurdo que isso seja ao menos cogitado! Bolsonaro quer fazer do governo o quintal da sua casa, uma extensão familiar. Não existe precedente na história da diplomacia brasileira, desde a proclamação da República a nomeação de filho de presidente para uma embaixada. Para piorar, ele assumiria o cargo justamente quando faz 35 anos, ou seja, era algo pensado há tempos e que só foi concretizado agora. O Senado não aceitará. E a oposição moverá as ações judiciais cabíveis."

Roberto Rocha (MA), líder do PSDB: "Essa Embaixada é sempre muito disputada. Talvez o presidente esteja buscando a solução menos difícil."

Ângelo Coronel (PSD-BA): "Será um debate acalorado. Ser 'filho do presidente, falar inglês e amigo da família Trump', como disse o Bolsonaro, não são predicados para assumir importante cargo em detrimento de outros nomes de carreira e gabaritados."

Márcio Bittar (MDB-AC): "Não vejo problema Ele representa o programa vencedor das eleições passadas como poucos. Além disso, não seria o primeiro político a ser nomeado embaixador."

Marcos Rogério (DEM-RO): "Ainda não avaliei isso. Tem muitos aspectos a serem considerados."

Jaques Wagner (PT-BA): "Sinceramente, difícil prever."

Humberto Costa (PE), líder do PT: "Não é só porque se trata de nepotismo ou de uma indicação moralmente condenável. O fato é que ele é inepto para o cargo."

Álvaro Dias (PR), líder do Podemos, o terceiro maior partido no Senado, não é membro da CRE mas deu sua opinião, mostrando que no plenário a resistência será grande: "Trata-se de um equívoco imperdoável. Um despropósito! Se passar deixará um rastro desnecessário de desgaste irrecuperável para o país."

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Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.


Tales Faria