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FHC confirma jantar com Huck, não declara apoio mas cobra "narrativa nova"

Tales Faria

27/09/2019 13h46

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ao blog que de fato participou do jantar na casa do apresentador de TV Luciano Huck no Rio de Janeiro, na última segunda-feira 23.

Mas, segundo ele, não foi para apoiar a candidatura do apresentador ao Palácio do Planalto e, sim, porque entendeu que os convidados queriam ouvi-lo.

"Eu entendi que os convidados queriam me ouvir. Não fui lá para lançar candidato algum à Presidência.  Mesmo porque, embora presidente de honra do PSDB, ando muito longe de militar na política", afirmou.

O blog revelou que, no jantar, Luciano deixou clara sua disposição de sair candidato a presidente da República em 2022, e até mesmo de pedir demissão da TV Globo para concorrer.

A Assessoria de Comunicação da Globo, por sua vez, soltou nota afirmando que, se Huck for candidato, de fato terá que deixar a emissora.

Fernando Henrique disse que outro motivo que o levou ao jantar foi a presença de integrantes de movimentos de renovação política:

"Há anos apoio movimentos como Agora, RenovaBR e Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade). Acho, contudo, que até as eleições de 2022 muita água vai rolar. Seria prematuro eu me comprometer com candidaturas presidenciais, mormente de fora do PSDB."

Vale lembrar que o governador tucano de São Paulo, João Doria, já está com sua candidatura na rua. E que Luciano Huck, por sua vez, aposta no apoio desses movimentos de renovação política.

O ex-presidente da República fez uma explanação aos presentes durante o jantar.

Falou da existência de uma "crise política que, no mundo ocidental, é da democracia representativa".

FHC relatou ao blog ter dito aos participantes do encontro que, no Brasil, essa crise "é consequência de erros acumulados".

Apontou como "erros", a corrupção entre políticos, autoridades e grandes empresas, o avanço do crime organizado e "o fantasma da possibilidade de o PT ganhar as eleições".

Segundo ele, isso desorganizou o sistema partidário e levou o eleitorado a eleger Jair Bolsonaro presidente, como uma forma de dizer não a tudo.

"É preciso uma narrativa nova que reacenda a esperança entre nós, se não der certo Bolsonaro. Quem a fizer, terá chance de ganhar e recompor a política", discursou.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Tales Faria largou o curso de física para se formar em jornalismo pela UFRJ em 1983. Foi vice-presidente, publisher, editor, colunista e repórter de alguns dos mais importantes veículos de comunicação do país. Desde 1991 cobre os bastidores do poder em Brasília. É coautor do livro vencedor do Prêmio Jabuti 1993 na categoria Reportagem, “Todos os Sócios do Presidente”, sobre o processo de impeachment de Fernando Collor de Mello. Participou, na Folha de S.Paulo, da equipe que em 1986 revelou o Buraco de Serra do Cachimbo, planejado pela ditadura militar para testes nucleares.

Sobre o blog

Os bastidores da política pela ótica de quem interessa: o cidadão que paga impostos e não quer ser manipulado pelos poderosos. Investigações e análises com fatos concretos, independência e sem preconceitos.